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TURBULÊNCIA NA EDUCAÇÃO

 

Crise no MEC: os nomes que diferentes forças do governo tentam emplacar como ministro

Grupos políticos que atuam próximo ao Planalto começaram a buscar apoio para uma eventual substituição

 

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2019/03/crise-no-mec-os-nomes-que-diferentes-forcas-do-governo-tentam-emplacar-como-ministro-cjtut7ud701sc01pnm2o8wsfv.html

 

29/03/2019 - 22h47min Atualizada em 30/03/2019 - 10h07min

MATEUS FERRAZ - MARCEL HARTMANN

 

Nomeado para secretário-executivo, Ricardo Machaco Vieira (em pé) é um dos nomes que surgem para ministroTereza Sobreira / Ministério da Defesa/Divulgação

Em fevereiro, após o envio de carta a escolas pedindo gravações de crianças cantando o Hino Nacional, a influência de Ricardo Vélez começou a ser minada à frente do Ministério da Educação (MEC). Grupos políticos que atuam próximo ao Planalto começaram a buscar apoio a nomes para uma eventual substituição. O movimento ganhou força após a última semana, com a demissão do presidente do Inep e a fraca atuação do ministro na Comissão de Educação, na Câmara dos Deputados.

O nome preferido da ala evangélica é o do senador Izalci Lucas (PSDB-DF). Ele esteve no Palácio do Planalto na quinta-feira, e participou de reunião com o ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz. Apesar de não enfrentar resistência entre os militares, o grupo não vê no parlamentar a força necessária para quebrar a resistência ideológica presente na pasta.

 

 

O presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superiores (Capes) e ex-reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Anderson Correia, ganhou destaque nos últimos dias. Ele é bem visto por militares e evangélicos, tendo, inclusive, a simpatia do pastor Silas Malafaia, líder da igreja Assembleia de Deus. O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), um dos cristãos mais atuantes do Congresso, chegou a sugerir seu nome em uma mensagem de WhatsApp enviado ao chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, mas não obteve resposta.

Ministro da Educação no governo de Michel Temer e com bom trânsito entre entidades educacionais, o deputado Mendonça Filho (DEM-PE) também é cotado. O maior obstáculo é seu partido. O DEM conta com três ministros no governo, mesmo sem ter entrado para a base aliada ou fechado questão em torno da reforma da Previdência.

Ainda no páreo, estão o ex-presidente do Inep, Marcus Vinícius Rodrigues, que tem sólida atuação na área de gestão, o general Aléssio Ribeiro Souto, que também trabalhou no plano de educação do governo, mas acabou fora do MEC, o presidente do Fundo de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Carlos Alberto Decotelli, com bom trânsito entre a ala militar, e até mesmo o recém-nomeado secretário-executivo, Ricardo Machado Vieira.

 

 

 



GOVERNO BOLSONARO

Vélez retoma presença olavista no MEC, e ala militar busca reconquistar espaço
Aluno de Olavo de Carvalho que coordenaria Enem

foi nomeado assessor do ministro



Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/03/velez-retoma-presenca-olavista-no-mec-e-ala-militar-busca-reconquistar-espaco.shtml

 

28.mar.2019 às 18h57
Paulo Saldaña

 

BRASÍLIA - ​Em busca de se manter no cargo, o ministro Ricardo Vélez Rodriguez reforçou a presença do grupo mais ideológico em seu gabinete. Nomeou nesta quinta-feira (28) como assessores o economista Murilo Resende, aluno do escritor Olavo de Carvalho, e o professor Ricardo Costa, que mantém trânsito com olavistas.

Nesta quinta-feira (28), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) admitiu que Vélez "tem problemas" por ser "novo no assunto" e que não teria "o tato político" necessário para o posto. A saída do ministro seria uma questão de tempo. O nome mais forte até agora é do senador ​Izalci Lucas (PSDB-DF), que tem apoio do bloco cristão desde o ano passado. O senador esteve nesta tarde no Palácio do Planalto.

Resende assume posto similar ao desocupado por alunos de Olavo no início de março, fato que desencadeou a crise atual de disputas no MEC. Ao atingir olavistas dentro do MEC, o ministro passou a ser atacado e teve de demitir auxiliares próximos para atender a pressão que chegou até Bolsonaro.

Nomeado em janeiro para uma diretoria do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) responsável pelo Enem, Resende não chegou a ficar no cargo após má repercussão. No entanto, ele não saiu do MEC: desde então era assessor da Secretaria de Educação Superior e despachava em sala dentro do Inep.

Defensor das ideias do movimento Escola Sem Partido e crítico da "ideologia de gênero", termo nunca usado por educadores, Resende chegou a chamar os professores brasileiros de "manipuladores" que não querem "estudar de verdade" ao participar de uma audiência pública do Ministério Público Federal de Goiás em 2016.

Ricardo Costa foi nomeado como assessor especial do ministro. Professor da Universidade Federal do Espírito Santo e estudioso da idade média, Costa é admirador de Olavo.

A crise atual expôs as disputas entre os grupos de militares, de técnicos e ideológicos, como seguidores de Olavo, considerado o guru da nova direita no país. Nos ataques, olavistas como Silvio Grimaldo (que era assessor do MEC e saiu no início do mês ao não aceitar mudar de cargo), atacaram diretamente os militares por uma suposta perseguição a eles.

Por outro lado, a ala militar em torno da cúpula do governo busca retomar espaços no MEC. Além de tentar emplacar o ministro, o grupo quer levar adiante os planos traçados antes da chegada de Vélez. 

Ao assumir, Vélez preteriu as pessoas que estavam nas discussões sobre educação havia meses. Primeiro ele descartou o cientista político Antonio Testa, indicado até então para secretaria-executiva, cargo número 2 da pasta. 

O coordenador da transição, tenente-coronel Paulo Roberto, também não foi aproveitado no MEC —está atualmente na Casa Civil. A saída de ambos desarticulou a transição e é o embrião da paralisia que acomete o MEC desde janeiro. Testa, por exemplo, participou de todas as reuniões com a gestão anterior do ministério.

 




O time que tocava as discussões de educação antes da posse era coordenado por militares. Três integrantes desse grupo ficaram em órgãos ligados à pasta: o professor Carlos Alberto Decotelli, como presidente do FNDE (Fundo de Desenvolvimento da Educação), o general Oswaldo Ferreira, na Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), e Marcus Vinicius Rodrigues, no Inep.

Marcus Vinicius Rodrigues acabou demitido nesta semana após a suspensão, depois revogada, da avaliação de alfabetização. Em entrevista à Folha, ele criticou o ministro e ressaltou que a definição do cancelamento da prova veio do secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, outro aluno de Olavo e poupado pelo ministro no episódio.

A articulação desse grupo ligado aos militares teve início na primeira quinzena de março, antes da viagem de Bolsonaro aos Estados Unidos, segundo relatos reservados. Não há consenso para um nome, mas o de Decotelli desponta como opção para assumir o MEC.

Também emergiram os nomes do próprio Marcus Vinicius, mesmo demitido do Inep, e o do general Ribeiro Souto. Correm por fora o professor Stavros Xanthopoylos, o primeiro nome ventilado para o cargo após a eleição. 

Um dos caminhos pensados pelos militares seria apaziguar o clima ao emplacar o secretário executivo. Ivan Camargo, ex-reitor da UnB, é um dos cotados.

Os militares já teriam, segundo interlocutores, compromisso de um apoio tácito com parte da bancada evangélica, que tem interesse em pautas comportamentais da educação. A indicação de Izalci também não desagradaria os militares.

Apesar da movimentação, há certa cautela nas apostas dada a imprevisibilidade do presidente Bolsonaro e a influência sobre ele de Olavo e seus discípulos. 

Vélez foi indicado ao cargo por Olavo com apoio dos filhos presidente. O deputado federal Eduardo e o vereador do Rio Carlos, ambos do PSL, fizeram várias visitas ao MEC. A interlocução mais comum do ministro com o Palácio do Planalto sempre foi por meio do assessor Filipe G. Martins, aluno de Olavo e assessor de Bolsonaro para assuntos internacionais.

 

 

 

 

 

 

 



Alas militar e política disputam lugar de Vélez
Embora Bolsonaro tenha negado demissão do ministro da Educação, nomes de dois grupos circulam no entorno do presidente: indicados pelo grupo que trabalhou na campanha e por aliados do Congresso

 

Fonte: https://oglobo.globo.com/sociedade/alas-militar-politica-disputam-lugar-de-velez-23557842

Renata Mariz - 28/03/2019 - 16:30 / Atualizado em 28/03/2019 - 20:31

 

Brasília - Enquanto o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, segue ameaçado de demissão no cargo, com críticas públicas do presidente Jair Bolsonaro à condução da pasta, o governo já começa a avaliar nomes que podem substituí-lo.

A dúvida no entorno do presidente é se entrega a área a alguém ligado à área militar ou se cede a uma indicação política. Uma lista entregue a Bolsonaro antes da viagem aos Estados Unidos neste mês, já com a crise deflagrada no MEC, voltou a ser considerada.

Nela, figuram nomes ligados ao militares que estiveram na campanha ou no grupo de transição, entre eles o do general Aléssio Ribeiro Souto, que trabalhou no plano de governo de Bolsonaro para a educação.

Estão cotados também o atual presidente do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), Alberto Decotelli, e até, ironicamente, o ex-auxiliar de Vélez demitido nesta semana, 
Marcus Vinicius Rodrigues, que deixou o Inep em mais uma frente de crise no MEC.

O nome de Antonio de Araújo Freitas Junior, integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE), também foi ventilado.



 

Fora da lista, nomes da política são lembrados

Além da lista, a bolsa de apostas no Planalto também tem nomes da área política que circulam no entorno de Bolsonaro. Indicações do PSDB, como o do senador Izalci (DF), ou do DEM têm chegado aos auxiliares do presidente. Até o nome do próprio ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, começou a circular nesta semana, após sinais de que Vélez não se segura no cargo.

O Planalto resiste a entregar o MEC a um político para não endossar críticas de que estaria praticando o "toma lá dá cá" que tanto critica. Mas a falta de opções do núcleo bolsonarista, que não mantém relação com a área da educação, é um problema do governo para substituir Vélez. Bolsonaro falou publicamente que o ministro fica no cargo, mas a expectativa no Planalto é que a troca seja efetivada no retorno da viagem a Israel na próxima semana.

Postado em: Notícias gerais

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